Mesmo com o celular grudado na mão 24 horas por dia, o brasileiro ainda não abriu mão do cheiro de papel e do peso de um livro na mochila. Às vésperas do Dia do Livro Infantil, comemorado neste 18 de abril, uma nova pesquisa da YouGov mostra que, apesar do avanço agressivo das telas, o mercado literário no Brasil respira com um fôlego curioso e resistente.
Livro físico tem preferência
O levantamento, divulgado hoje, 15 de abril, aponta que a preferência nacional ainda é tátil. O livro de capa dura lidera com 44% da preferência, deixando os e-books com 33%. É um dado que diz muito sobre o apego do objeto físico em uma era de consumo volátil. Enquanto isso, os artigos online e blogs aparecem com 26%, e os audiolivros, que tentam emplacar há anos, estacionaram nos 15%.

Quem é o leitor brasileiro hoje?
A pesquisa desenha um cenário dividido. O Brasil não é exatamente um país de devoradores de bibliotecas, mas o hábito está longe de morrer.
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30% se dizem leitores regulares
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30% são leitores ocasionais (aqueles que leem quando sobra um tempo)
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22% admitem que não leem muito
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10% são os chamados “leitores ávidos”, a elite que sustenta o fluxo das livrarias
O lado cinza da história fica para os 23% que afirmam não ler livros e os 8% que dizem nunca ter aberto uma obra. É nesse vácuo que entram as novas políticas públicas, como a plataforma gratuita de empréstimos digitais do Ministério da Educação, que tenta digitalizar o acesso e baratear o custo do conhecimento.
Romance e Autoajuda dominam o feed
Se você entrar no metrô ou olhar o que as pessoas estão postando no Instagram, os números da YouGov fazem todo o sentido. O romance continua sendo o rei absoluto com 32% da preferência. Logo atrás, vem a força da autoajuda e desenvolvimento pessoal, com 29%, mostrando que o brasileiro está buscando nos livros uma ferramenta de suporte emocional ou profissional.
O gênero de suspense e ficção científica aparece com 23%, enquanto o “true crime” e as histórias policiais mantêm um público fiel de 21%. Curiosamente, o gênero juvenil ou adolescente, que costuma movimentar grandes eventos como a Bienal, aparece com apenas 9% nessa amostragem específica.
David Eastman, diretor-geral da YouGov para a América Latina, pontua que o consumo hoje é pulverizado. O livro não morreu, ele só passou a dividir espaço no tempo de atenção do usuário com o TikTok, o streaming e os games. Para ele, o digital não substitui o físico, ele soma, criando um ambiente onde o livro convive com novos formatos sem perder sua aura cultural.
Ler ainda é “Status” Moral?
Um dos pontos mais interessantes do estudo é a percepção simbólica. Para a grande maioria, o livro ainda é visto como um vetor de evolução pessoal. Nada menos que 70% dos entrevistados acreditam que ler torna as pessoas melhores.
Apenas 8% discordam dessa ideia de que a leitura aprimora o caráter ou a inteligência de alguém. No fim das contas, em um mundo de atenção fragmentada, o livro sobrevive não só como entretenimento, mas como um refúgio de formação e repertório.
O desafio agora, como sugere o levantamento, é transformar essa visão positiva em hábito real, tirando o livro da prateleira de “objeto de desejo” para colocá-lo, de fato, na rotina de quem ainda enxerga a leitura como um esforço distante.
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