perdendo o juízo

Crítica | Perdendo o Juízo: nova série da Netflix é imperfeita, caótica e irresistível

Compartilhe isso:

A série surfa na onda do suspense psicológico com um roteiro que, apesar dos pesares, prende o espectador até o último segundo.

Há séries que chegam de mansinho ao catálogo e, quando damos por nós, já consumiram o nosso fim de semana inteiro. “Perdendo o Juízo” é exatamente esse tipo de armadilha irresistível: um produto de puro entretenimento que nos prende logo na primeira cena e só nos liberta quando os créditos finais começam a subir. Lançada recentemente pela plataforma, a produção surfa com mestria na onda do suspense psicológico moderno, apostando numa premissa que mistura segredos domésticos, personagens moralmente questionáveis e aquela sensação constante de que algo vai correr muito mal a qualquer momento.

Perdendo o Juízo

Amanda Torres era uma advogada promissora, mas sua carreira vai ladeira abaixo quando ela tem um surto durante um julgamento. Após o incidente, três letras a definem: T.O.C. Porém, um caso familiar a obriga a voltar à ativa.

perdendo o juízo

Existe uma linha muito tênue entre o drama jurídico genérico e aquele que realmente te faz esquecer que horas são. Quando uma produção consegue transformar o colapso nervoso de uma carreira brilhante no ponto de partida para uma investigação deliciosa, fica claro que fisgaram a nossa atenção de vez e que o entretenimento está garantido. O grande acerto da produção está, sem dúvida, na leveza e na inteligência do roteiro. A narrativa foge rápido da burocracia monótona dos tribunais e aposta em um ritmo onde a pegada de mistério funciona como o grande motor da temporada.

Além disso, a série brilha intensamente ao dar espaço para quem está em volta. Não é exagero dizer que o elenco de apoio é um dos maiores pilares da trama. Os personagens secundários não servem apenas como muleta para a protagonista. Eles têm voz própria, garantem o alívio cômico no timing exato e possuem uma química tão boa que seguram a atenção até nos momentos em que o roteiro decide dar uma respirada.

O charme do caos

O grande trunfo da série é como ela brinca com a nossa percepção. A dinâmica de viradas constantes lembra muito a literatura de suspense atual. É quase como abrir um thriller da Freida McFadden, onde ninguém é confiável e as próprias paredes parecem esconder segredos absurdos. E funciona. Funciona porque a narrativa abraça o absurdo sem tentar ser pedante.

O ritmo dos primeiros episódios é simplesmente frenético. Os diálogos são ágeis. Os ganchos ao final de cada capítulo? Pensados milimetricamente para você não conseguir ignorar o famigerado botão de “Próximo Episódio”.

Perdendo o Juízo conta com o clássico: um grande mistério a ser revelado e vários “minis” em cada episódio.

Uma pisada no freio

Porém, o terço final da temporada pisa no freio de uma maneira que beira a frustração. O roteiro dá algumas voltas desnecessárias. São criadas aquelas famosas “barrigas” narrativas que poderiam ser facilmente resolvidas com dois episódios a menos.

Além disso, certas resoluções soam convenientes demais. Quando a trama tenta abandonar o suspense de gato e rato para abraçar um tom mais dramático e reflexivo, ela perde um pouco daquele frescor caótico que a tornou tão cativante no início. A ambição da produção acabou esbarrando na própria teia que tentou tecer. Só que nem tudo funciona como matemática. E, para ser muito justo, essas falhas técnicas não estragam a experiência.

perdendo o juízo

No fim das contas, a série cumpre sua principal missão: ser uma viagem alucinante pela mente de personagens essencialmente quebrados. Pode não ser perfeita estruturalmente, mas o nível de engajamento que proporciona é raro. Encontrar um suspense que realmente consiga nos fazer de trouxa hoje em dia já é um mérito gigantesco. E nisso, a série acerta em cheio. Ah, a segunda temporada já está no forno.

Continue acompanhando o Mestre para mais novidades.

Mais conteúdo

© 2024. O Mestre da HQ / Em memória de Juarez Mariano