Nesta sexta-feira, 30 de janeiro, comemora-se o Dia do Quadrinho Nacional, e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo decidiu transformar a data em um convite para mergulhar em narrativas que vão do asfalto paulistano aos palcos das maiores premiações internacionais.
O melhor de tudo? Você pode ler essas obras, muitas delas vencedoras do cobiçado Eisner Award (o “Oscar” dos quadrinhos), sem gastar um centavo, visitando as gibitecas Henfil (no Centro Cultural São Paulo) e Monteiro Lobato.

Do clássico ao “hype” internacional
O Brasil não é novato nessa arte. Com uma trajetória de mais de 150 anos, o país viu o “boom” dos gibis entre as décadas de 40 e 60, quando nomes como Ziraldo e Laerte começaram a moldar o nosso imaginário. Mas foi nos anos 2000 e 2010 que a cena explodiu globalmente.
Hoje, quadrinhistas brasileiros não são apenas “promessas”, são protagonistas. Nomes como Marcelo D’Salete, Mike Deodato Jr. e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá elevaram o status das HQs nacionais, trazendo temas complexos e estéticas refinadas que dialogam com o público jovem-adulto e colecionam troféus lá fora.
Maurício de Sousa: 90 anos e Patrimônio da Cidade
A celebração deste ano tem um sabor especial. O “pai” da Turma da Mônica, Maurício de Sousa, acaba de ter sua obra reconhecida como patrimônio imaterial da cidade de São Paulo.

Gibitecas
Veja algumas histórias em quadrinhos brasileiras que faturaram prêmios internacionalmente – e que podem ser lidas livremente nas gibitecas Henfil e Monteiro Lobato:
- Daytripper (2010) – Fábio Moon e Gabriel Bá
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor minissérie’, conta sobre Brás de Oliva Domingos, filho de um renomado escritor brasileiro, vive entre obituários e sonhos de sucesso literário. A narrativa explora os dias cruciais de sua vida: aos 21, encontra o amor; aos 11, seu primeiro beijo; com o nascimento do filho, descobre sua voz.
- Dois Irmãos (2015) – Fábio Moon e Gabriel Bá
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor adaptação”. Dois Irmãos narra a turbulenta trajetória dos gêmeos Yakub e Omar, nascidos em Manaus. Descendentes de uma família libanesa, os irmãos sempre tiveram temperamentos contrastantes e suas diferenças cresceram ao longo dos anos, apesar do esforço dos pais, Halim e Zana, para que os dois se reconciliassem.
- Vampiro Americano (2010 – ) – Rafael Albuquerque
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor série nova’. Pearl Jones, uma aspirante à atriz na década de 1920, que foi emboscada por um grupo de vampiros liderado por um diretor vampiro chamado BD Bloch, durante uma de suas festas. Ela foi deixada para morrer em um poço no deserto, mas é salva por Sweet. Pearl se torna a segunda ‘vampira americana’.
- Cumbe (2014) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor edição americana de material estrangeiro’. Em Cumbe, Marcelo D’Salete retrata de forma inovadora a luta dos negros no Brasil colonial contra a escravidão. O livro traz histórias em quadrinhos emocionantes, protagonizadas por escravizados, mostrando a resistência contra a violência das senzalas brasileiras.
- Tungstênio (2014) – Marcello Quintanilha
Vencedor do Prêmio Angoulême na ‘Fauve d’Or’ de Melhor HQ do ano, logo na primeira graphic novel de Marcello Quintanilha. Tungstênio conta a história de quatro personagens em paralelo: um sargento reformado do exército, um jovem traficante, além de um policial e sua esposa que vivem momentos difíceis em seu casamento. O que envolve esses personagens é um crime ambiental na orla de Salvador.
- Nem Todo Robô (2022) – Mike Deodato Jr
Vencedor do Prêmio Eisner de ‘Melhor quadrinho de humor’. O graphic novel conta sobre o ano de 2056, em que os robôs substituíram os seres humanos como mão de obra. A coexistência entre robôs, com a inteligência recém conquistada, e os dez bilhões de humanos da Terra é tensa. A cada família humana é designado um robô, do qual elas se tornam dependentes.
- Angola Janga (2017) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Rudolph Dirks Award, da Alemanha, em 2019, e do Prêmio Jabuti. Conta a história do Quilombo de Palmares, conhecido entre seus moradores como Angola Janga, ou “Pequena Angola”, fruto de um trabalho de mais de 10 anos de pesquisa conduzida pelo autor Marcelo D’Salete.
- A Sereia da Floresta (2023) – Hiro Kawahara
Fazendo história ao ser o primeiro brasileiro a receber ouro na premiação do Japan International Manga Award, a HQ aborda uma sereia que faz um pacto para sobreviver em um outro mundo e em outro corpo, ressurgindo em uma floresta européia durante a Idade Média, onde encontra uma médica e alquimista persa. Juntas, elas tentam se adaptar a essa nova realidade, ao mesmo tempo em que a Grande Peste e a Inquisição assolam o mundo ao redor delas.
- Castanha do Pará (2016) – Gidalti Jr.
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2017. Castanha é um menino-urubu que vive suas aventuras pelos cenários do tradicional mercado público Ver-o-Peso, em Belém. Mora sob o céu aberto e sobrevive dos furtos e das migalhas de atenção que sobram do mundo ao seu redor.
- Quadrinhos dos Anos 10 (2016) – André Dahmer
Vice-campeã do Jabuti de Melhor HQ no mesmo ano. Na esteira das revoluções tecnológicas da virada do século, Quadrinhos dos anos 10 tem uma receita simples: três ou quatro quadros em sequência, contendo a mais dolorosa e mordaz crítica à vida moderna.
- META: Depto. de Crimes Metalinguísticos (2021) – Marcelo Saravá e André Freitas
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2021. A HQ parte do assassinato de um desenhista, cujos principais suspeitos são os personagens criados por ele para uma HQ.
- Escuta, Formosa Márcia (2021) – Marcello Quintanilha
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2022 e do Prêmio Angoulême na ‘Fauve d’Or’ de Melhor HQ do ano e Rudolph Dirks. Mãe solteira, nascida e criada em uma comunidade do Estado do Rio, a enfermeira Márcia vem travando uma verdadeira batalha doméstica para disciplinar sua filha, a insubordinada Jaqueline. Porém, quando a jovem se vê envolvida até o pescoço com o crime organizado, Márcia estará disposta a chegar às últimas consequências para livrá-la dessa enrascada.
- Mukanda Tiodora (2022) – Marcelo D’Salete
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2023. O livro conta a história real de Tiodora Dias da Cunha, uma mulher negra nascida no Congo e trazida para o Brasil como escravizada no século XIX.
- Como pedra (2023) – Luckas Iohanathan
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2024. No árido Sertão nordestino, uma família luta contra a cruel dança da seca e da fome. Contudo, o verdadeiro desafio transcende as agruras da natureza. A filha do casal, aprisionada em uma cadeira de rodas, enfrenta uma doença silenciosa, que a priva do movimento e da voz. Em meio à escassez e à desesperança, a fé é testada e o fanatismo religioso emerge como uma sombra ameaçadora.
- Mais uma história para o velho Smith (2024) – Orlandeli
Vencedor do Jabuti de Melhor HQ em 2025. Sempre que voltava do mar, Smith trazia uma nova história. Todos paravam pra ouvir, ele é um ótimo contador de histórias. Porém, um dia, as histórias começaram a ir embora. Smith até tentou lembrar… mas elas não estavam mais lá. Smith decidiu. Quer mais uma. Mais uma vez vai entrar no mar. Ele sabe muito bem… É lá que elas estão.

Onde encontrar:
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Gibiteca Henfil (CCSP): Rua Vergueiro, 1000 (Metrô Vergueiro).
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Gibiteca Monteiro Lobato: Rua General Jardim, 485 (Vila Buarque).
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