[GGRF] – Quadrinhos em forma de protesto

Quadrinhos em forma de protesto No segundo dia do Geek Game Rio Festival tivemos a imensa honra de assistir uma apresentação de nível altíssimo com a participação de Luciano Cunha, criador do Doutrinador, que é um anti-herói brasileiro. A temática do personagem é a de que a corrupção criou seu pior inimigo.

Também tivemos a participação da Beliza Buzollo, que faz quadrinhos sobre temas LGBT. A mesma afirma que seus quadrinhos trazem ousadia de gênero. Sua ideia é mostrar o cotidiano LGBT e essa ideologia é transmitida para o papel, porque em questões como essa, não é possível separar os quadrinhos da política. Além deles dois, havia também a presença de, ninguém mais, ninguém menos, que David Llody, um dos criadores da Graphic Novel, V de Vingança.

Foi incrível ver criadores de quadrinhos com uma pegada mais séria, falando sobre suas obras e dificuldades de lançá-las. E a dificuldade não fica só na questão de divulgar suas obras, mas em publicá-las também, pois algumas editoras se recusam a publicar HQs desse gênero. Luciano afirmou que quando foi publicar O Doutrinador, 11 editoras afirmaram gostar do material, porém, não ia publicar por temerem problemas.

A utilização dos quadrinhos como ferramenta de protesto fica claro quando o Doutrinador em seu início 2010 não tinha muito espaço, mas, ao reformular o personagem em 2013, houve uma coincidência de estourarem as manifestações no Rio de Janeiro e o pessoal se identificou com o personagem. Nessa história, sua fanpage cresceu 1000% em apenas uma noite. Isso mostra o quão as pessoas se interessam em literatura atual. Sim, literatura. As pessoas precisam parar de ver os quadrinhos como apenas uma literatura para crianças e entender que deve ser visto igual à literatura usual. A dificuldade de se escrever um quadrinho é bem maior que a de escrever um livro visto que passa pela mão de muito mais gente, englobando roteiristas, quadrinistas, desenhistas, revisores, etc, podendo ainda o projeto não ser levado a frente por diversos fatores que não serão citados.

Perguntaram ao David Lloyd qual era sua opinião sobre a máscara do V de vingança se tornar o símbolo de Anarquismo que ela é hoje. Sua resposta foi: A máscara adquiriu vida própria. Fico muito satisfeito em ver que a máscara se tornou a ideologia dos que não fecham os olhos para os problemas que envolvem o governo. A apresentação foi longa.

Essa experiência foi muito boa: ver como eles tratam de questões sérias em quadrinhos, como suas obras funcionam de maneira lúdica. Questões sérias sempre foram discutidas nos quadrinhos, mas elas devem ser levadas mais a sério pelo público que não tem muito conhecimento de HQ para evitar que menosprezem os bons conteúdos.