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Crítica | Fast-Food de Suspense: ‘Entre Pai e Filho’ tropeça na própria ansiedade

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A nova aposta da Netflix no formato de episódios ultracurtos tenta ser um thriller psicológico, mas esquece que o choque pelo choque tem prazo de validade.

Existe um fenômeno curioso na era do streaming: o desespero para reter a nossa atenção a qualquer custo. ‘Entre Pai e Filho’, a nova minissérie da Netflix, idealizada por Pablo Illanes, chega exatamente com essa premissa. É o tipo de produção que grita pelo seu olhar antes mesmo de você sentar no sofá, entregando um drama doméstico que parece ter sido desenhado por um algoritmo programado para maximizar engajamento, sem se preocupar muito com a base do roteiro.

A premissa, no papel, tinha tudo para engrenar. Acompanhamos Barbara, uma advogada de alto nível que, durante uma estadia na propriedade da família do noivo, acaba cruzando uma linha perigosa com o enteado. É a clássica fundação de um romance proibido, temperada com rivalidades familiares e segredos obscuros. O grande diferencial aqui é a embalagem. A série aposta em capítulos curtíssimos, na casa dos dez minutos. É uma dinâmica inteiramente moldada para a geração do TikTok, onde cada bloco precisa terminar com um gancho apelativo para impedir que você pule para a próxima aba.

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O Vício do Algoritmo e o Que Funciona

Sejamos justos. Esse ritmo desenfreado atinge um certo ponto cego do entretenimento caótico que nos prende quase por acidente. Como alguém que preenche checklists com todos os livros da Freida McFadden, eu entendo perfeitamente o magnetismo do absurdo em um suspense. Você sabe que as decisões tomadas em tela são questionáveis e ilógicas, mas o volume exagerado de eventos e o clima de urgência te obrigam a continuar assistindo.

Além disso, há um esforço louvável no elenco para tentar ancorar a trama na realidade. Pamela Almanza entrega os momentos mais vulneráveis da obra, tentando extrair emoção genuína de diálogos que raramente acompanham sua dedicação em cena. O visual também não decepciona. A estética é limpa e polida, carregada de olhares de soslaio e uma fotografia sensual que tenta compensar as fragilidades da história com muito estilo.

Muito Drama, Pouco Processamento

E aí vem o problema. Quando você tira o verniz brilhante da velocidade, a arquitetura narrativa desmorona. Em vez de realmente explorar a prometida guerra psicológica entre o patriarca e o filho, a trama prefere se perder em um looping de reviravoltas vazias. É como se a produção estivesse tão ansiosa para jogar o próximo plot twist na cara do público que esquecesse de construir a tensão necessária até chegar lá.

Relacionamentos surgem do absoluto nada. Segredos são atirados no ventilador apenas para gerar tumulto, e o peso dos traumas do passado é tratado com a profundidade de um pires. Para um projeto que se apoia tanto na ideia de paixões avassaladoras, é frustrante notar que os personagens quase nunca parecem genuinamente impactados pelo inferno ao redor deles.

Se colocarmos a obra lado a lado com thrillers autênticos que sabem cozinhar o mistério em fogo lento, essa aposta soa como um lanche de fast-food devorado em minutos. Tem potencial para viralizar em recortes verticais nas redes sociais? Sem dúvida. Mas falha em se sustentar como uma experiência completa.

No fim das contas, a atração escolhe o atalho. Prefere o choque imediato à construção paciente. Pode até servir como uma distração rápida para um fim de semana, mas é isso. Só não espere que a história fique na sua cabeça no dia seguinte. Às vezes, um roteiro raso é apenas um roteiro raso, por mais rápido que ele tente correr. Mas vamos ser sinceros, as vezes isso é tudo que precisamos para descansar e não precisar pensar muito.

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