Sabe aquela obrigação escolar de ler calhamaços antigos que costumava afastar o público jovem da literatura clássica? Esse cenário virou passado por conta de uma engrenagem que dita as regras do mercado atual: os criadores de conteúdo. Com o empurrão dos booktokers e de clubes de leitura virtuais, os livros clássicos ganharam status de tendência cultural entre os mais novos. De olho nesse movimento, a Editora Melhoramentos resolveu chacoalhar o catálogo e anunciou o relançamento da coleção ‘Clássicos Melhoramentos’.
O timing faz sentido prático. Dados do relatório Nielsen BookScan 2025 apontam que 22% do consumo de livros em território nacional é impulsionado de forma direta por indicações de creators. A internet transformou discussões sobre narrativas seculares em vídeos curtos e debates altamente engajados.
Para conversar com esse público que consome informação de um jeito muito mais visual, a editora escalou Weberson Santiago. O ilustrador e professor, com bagagem forte no design gráfico e produções premiadas por aqui e lá fora, assumiu as capas e a identidade visual das novas edições. A ideia foi aplicar cores fortes e traços autorais para dar um choque de modernidade na estética de obras que todo mundo já ouviu falar, mas que agora ganham uma cara mais palatável para as redes e para as estantes.
A lista de títulos atualizados mexe com nomes pesados da literatura nacional e internacional. Estão no pacote as edições de Dom Casmurro, O Cortiço, A Metamorfose, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Médico e o Monstro, Iracema, Marília de Dirceu e Contos de Machado de Assis. Todos esses volumes já começaram a circular e podem ser encontrados na Amazon. O próximo da fila é Histórias Extraordinárias, com distribuição marcada para o dia 20 de maio.
Por dentro, o projeto gráfico foi repensado para deixar os blocos de texto menos cansativos, apostando em mais conforto para os olhos. Outra sacada editorial foi a inclusão de uma seção de conteúdo complementar ao final de cada obra. São páginas dedicadas a traçar a biografia dos autores e a destrinchar o contexto histórico da época em que as tramas foram escritas, um facilitador para quem quer entender as camadas sociais por trás de cada história sem precisar recorrer a pesquisas externas no meio da leitura.
Segundo Joice Castilho, gerente de Negócios da editora, a permanência dessas obras no topo do interesse acontece porque elas mexem com dilemas humanos que não envelhecem. O esforço com a nova roupagem é justamente encurtar a distância entre a linguagem da época e o leitor de hoje, valorizando o objeto livro.
A iniciativa da Melhoramentos, casa editorial que já soma mais de um século de mercado com foco forte em materiais educativos, dicionários e ficção infantojuvenil, foca direto na formação de repertório crítico, mas pega carona na própria dinâmica das redes sociais, onde o clássico e o pop andam cada vez mais juntos.



