Crítica | The Batman

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Como eu tenho uma história de muitos anos com filmes como Se7en – Os Sete Crimes Capitais, e O Colecionador de Ossos, e com séries como Law & Order SVU, que envolvem crimes que foram cometidos e a posterior investigação em busca dos culpados, a minha expectativa para The Batman era altíssima.

Depois de muitos anos como fã da DC e do Batman como um dos meus heróis prediletos, ter a notícia de que um cara como o Matt Reeves dirigiria um filme do maior detetive do mundo foi algo que me soou quase como um crossover entre duas das minhas maiores preferências, quando o assunto é cultura pop. E eu fico extremamente contente de perceber que a escolha foi acertada: o filme é suficiente pra contagiar tanto fãs quanto casuais. Mas eu, por causa do vínculo com o gênero usado pra contar uma trama com o Batman em Gotham, sendo fã desse gênero e nunca tendo visto um filme de super-heróis passando por essa visão de cinema, me senti especialmente homenageado.

Deixa o cara trabalhar!

A Warner precisa deixar seus diretores trabalharem. Em outras palavras, nunca vai ser digno de apoio que se tenha diretores trabalhando, e o estúdio de forma autoritária interfira na arte sem um motivo claríssimo — e temo que, mesmo nesse caso, será discutível. Diretor, como qualquer profissional, tem método e motivo para inserir cada detalhe no seu longa. Não acho que ter direitos sobre os heróis e a responsabilidade sobre a infraestrutura seja motivo para terem carta branca. O artista vai acertar e errar? Óbvio. Mas mesmo quando errar, o “sistema” fará sentido: a gente pega o trabalho e o avalia pelo que ele é, absorve o que ele realmente tem, o que foi projetado para ter… não o que não tem, não o que foi remexido em prol de tornar artificial uma sensação que não foi projetada para acontecer.

Soa como enganação. Como fãs, nos sentimos obviamente tapeados se algo interferir dessa forma naquele fluxo dado de trabalho. O longa é mais uma forma de dizer que isso não deveria ter espaço, porque quando não há esse espaço, as coisas fazem muito mais sentido.

Perfeição? Nah

The Batman não é perfeito. Por exemplo: tem um momento, antes do terceiro ato, que me deu um pouco de sono; o ritmo ficou devagar demais. E eu enxergo que tem algumas coisas que perderam o ineditismo, algo que credito mais à quantidade de filmes focando de alguma forma no Batman (na média, de 2005 pra cá a cada dois anos sempre tem um filme mostrando o Homem-Morcego) do que a um erro do Reeves.

Mas como um todo, o filme realmente entrega tudo o que eu esperava. É muito importante haver um filme muito sólido na Warner onde o diretor faz, realmente, o que deseja. A melhor Gotham de qualquer filme com o Batman. Atuações importantes de todos os principais nomes: Paul Dano, Zoe Kravitz, Colin Farrell, Andy Serkis. Robert Pattinson magnífico. Fotografia espetacular. Trilha sonora menos repetitiva do que eu esperava. A vibe de Gotham respeitando o noir mas incorporando os gadgets do Batman é algo que dá certo e nem eu acreditei. Uma Catwoman bastante 2022, um Pinguim completamente atual. Batmóvel irrepreensível.

Medo, que é usado no subtexto como uma arma, é algo que não precisamos ter. Pois, acima de tudo, The Batman é um filme que só se compromete com o Batman.

 

Pós-créditos: E sobre o Charada… eu senti muita dificuldade ao ver, nos trailers, uma coisa muito próxima dos psicopatas assassinos e longe do Charada dos quadrinhos. Em essência, isso ainda é verdade. Mas eu também reconheço o Charada nos vários E. Nigmas propostos, e na urgência com que a trama pede que Batman resolva os crimes cometidos. Portanto, o vilão não me lembra tanto as HQs, mas eu respeitei a visão do diretor. E o resultado não podia ser melhor, já que o Charada propõe jogadas, mas dá muito medo. Paul Dano IN-CRÍ-VEL.

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