Para muitos fãs, o primeiro Esquadrão Suicida (2016), dirigido por David Ayer, foi uma grande piada de mau gosto. Não seria impreciso afirmar que eles adorariam esquecer que esse filme existiu. No entanto, em contra-partida a essa vontade, surge um filme novo de Esquadrão Suicida, agora dirigido por James Gunn (Guardiões da Galáxia vol. 1 e vol.2).
Seria benéfico para esse filme privar os comentários apenas para ele, dessa forma evitando comparações ao antigo. Assim, para não estender nesse assunto, podemos dizer que o segundo é infinitamente superior.
Mas por que superior?
Bom, para começar a ideia do filme se desenha da mesma maneira que o anterior, mas o que muda? Uma porção de coisas, e isso é bom. O longa não tenta se levar a sério, e o tempo todo te faz sentir que está lendo um quadrinho do Esquadrão Suicida, apostando em humor ácido, juntamente com cenas bizarramente chocantes, que te levam a pensar: “Mas o que foi isso que eu acabei de ver?” e pasmem, isso funciona e muito com o Esquadrão Suicida. Sempre que o roteiro tenta de alguma forma correr para um caminho mais sério e “sentimental”, imediatamente você é puxado de volta pra loucura que é estar com esses personagens.
O longa tem um roteiro crível, o que faz com que você consiga compreender bem a história. Ao mesmo tempo, a montagem dele é apresentada de forma não linear, contada a partir de blocos que se encaixam no fim da narrativa. E mesmo que o filme dedique três minutos para falar sobre um personagem chamado Milton, acredite, vai valer a pena. Assim sendo, vamos aos personagens.
Os personagens roubam a cena
Acredita-se, que se você vai ao cinema para ver um filme com o nome “Esquadrão Suicida”, você vai preparado para não se apegar a personagens. Pelo menos esse deveria ser o correto, não é? Aqui é diferente, você não se apega aos personagens por um apelo emocional forçado em meio a uma guerra bizarra, mas sim pelo carisma de cada um deles. Frequentemente, você está rindo com eles, você está rindo deles, e está entendendo até o que os move, pois isso é explicado de formas simples em pequenos takes. Aqui vemos uma Arlequina muito mais forte, que não depende do palhaço do crime, e apesar de todos abusos que passou, se mostra totalmente forte. Amanda Waller continua o mesmo pé no saco, assim como nos quadrinhos e animações o que é muito bom, porque Viola Davis sempre se entrega.
Cada personagem tem o seu drama pessoal, mas a trama do filme cresce mais em volta da relação da Caça-Ratos II e Sanguinário. Em síntese, pode-se afirmar que eles tem uma relação de “pai e filha” nessa produção. Outro personagem que com certeza entrará em seus preferidos é o Nanaue, O Tubarão-Rei. É simplesmente emblemática a participação dele, é como se ele fosse, um dos, “Groot” desse filme. John Cena interpretou o pacificador, que também tem um papel importante na trama do filme, as cenas de ação com ele e Idris Elba são maravilhosamente belas, e ao mesmo tempo, irreverentemente engraçadas.
Sem medo de ser SUICIDA
Como já foi dito antes, se você pretende assistir um filme com suicida no nome, o mínimo que você espera é mortes. Para evitar Spoilers, não vou tocar nos nomes dos personagens, mas como o próprio diretor disse, “não se apegue a eles”. Um caminhão de cenas de Gore, mutilação e muito sangue, nem os personagens principais escapam dessa “equação”. Imediatamente, te leva a pensar, “por que eu estou rindo disso?
O filme é construído em torno de uma aura humorística muito forte, então quando algo extremamente pesado acontece, em seguida, vem o alívio cômico. A partir daí, você apenas segue em frente, sem nunca saber quem é o próximo a bater as botas, inclusive, essa é uma pergunta que existe por parte de espectadores dentro do filme.
Com gancho para novas produções da DC
James Gunn não brincou em serviço, ele deu show em matéria do que fazer com personagens de quadrinhos em um blockbuster. Esse é o verdadeiro Esquadrão Suicida, com bastante humor, loucura e bizarrice, um filme extremamente divertido que não tem medo de fazer o que o seu título denomina. O filme conta com uma excelente trilha sonora, cenas plasticamente bonitas e com um gancho pra novas produções da DC. ( tem cenas pós-créditos, ok?) Esse filme é tudo o que o Universo DC deveria ter sido até agora sem tirar nem por, uma adaptação bastante fiel ao que temos nos materiais originais.
O Esquadrão Suicida estreia dia 5 de agosto nos cinemas.