Crítica | The Office: Uma série completamente sensorial

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Uma série de comédia tem um papel muito simples em sua maioria, e esse papel pode ser definido por causar risadas ao espectador. Sim, muito simplório para o que seria uma comédia, certo? Sim é, no entanto, o que está em pauta é o poder que uma série de comédia tem, e esse poder não está apenas ligado ao riso ou na forma que as piadas são colocadas, mas sim em como pode atingir vários tipos de sensibilidade ao receptor. A série em questão é The Office, e se podemos definir em uma palavra, seria sensorial.

A Série:

Elenco The Office

The office é uma série de comédia americana produzida em formato de falso documentário, é uma adaptação de uma série Britânica e estrelava Steve Carell como o personagem principal Michael Scott, que gerencia um escritório de uma distribuidora de papel. Por ser gravada em estilo falso documentário, ela pode causar estranheza a marinheiros de primeira viagem, ou a pessoas que estão acostumadas o estilo Sitcom , entretanto, o receptor ao assistir, poderá ter certeza de que quando rir, o que o fez rir não foram as risadas da platéia.

Dito isso, temos a impressão de quem produziu a série teve um cuidado a mais com a forma que construiu seus roteiros e na estética que desejava passar quando a filmava. Por ser uma série que não possui essas características comuns, como trilha sonora, ela tem que passar a ideia de “vida real” e naturalidade, as coisas tem que acontecer de forma fluída, e é aí que a coisa toma forma.

O objetivo na série além de emular um documentário, é fazer com que um ambiente como um escritório, algo que, naturalmente, para um geral de pessoas é visto como um ambiente de trabalho, quieto, onde as pessoas vem, trabalham e voltam para as suas casas, onde vendem papel, se torne algo divertido, com confusões e intrigas do dia a dia. A série, até hoje, desde que acabou é tida como uma das melhores séries de comédia já feitas, inclusive foi bastante premiada. Mas esse sucesso não se dá apenas por isso, Steve Carell tem um papel fundamental em como estruturar o humor da série. 

Os personagens:

Michael Scott (Steve Carell)

Steve Carell como Michael G. Scott em The Office
Steve Carell como Michael G. Scott em The Office

Ao interpretar Michael Scott, ele encarna um personagem que é totalmente desmedido em ações e palavras, totalmente inconveniente e absurdamente expressivo, assim como uma criança em corpo de adulto, mas que apesar de tudo isso tem bom coração, o que faz o espectador se importar com o personagem como se ele fosse parte da sua própria família. A forma como o humanizam, faz com que as pessoas se emocionem com ele, faz com que as pessoas tenham raiva dele, e como é um personagem que se coloca nas mais complicadas situações, pelas coisas que faz, faz com que junto a ele sintamos uma espécie de “vergonha alheia”, o sentimento de “Oh meu Deus eu jamais faria isso”, e ao mesmo tempo te fazendo ter um certo medo do que vai acontecer em seguida. 

Ela além de humanizar um personagem cheio de defeitos faz com que consigamos entender o que fez o personagem ser daquele jeito, e quando os personagens da série tem empatia com ele, faz com que isso gere empatia com o público que assiste. 

De fato, ele se destaca quando contracena com os outros atores na série, dada as suas expressões faciais, nota-se que ele se doa totalmente ao personagem.

Jim Halpert & Pam Beesly ( John Krazinski & Jenna Fischer)

Jim e Pam em The Office
Jim e Pam em The Office

 A série possui também a sua dose de romance, abordando o drama do casal Jim e Pam. Esse romance, como podemos observar, tem o objetivo de provocar nas pessoas a torcida pelo final feliz, mas como assim? O ser humano tem essa necessidade de encontrar a sua “metade”. Sendo assim, o diretor tenta criar o clima entre os dois o tempo todo, e esse relacionamento vai evoluindo com o passar dos episódios e temporadas.

De forma diferente de como a maioria das sitcom abordam relacionamentos amorosos, The Office não faz com que o casal tenha intrigas e separações descabíveis, ou traições, mas ela leva a crer que Jim e Pam são o casal perfeito, os verdadeiramente “feitos um para o outro”, satisfazendo assim desejos inerentes ao sensível do receptor, deixando-os emocionados em vários momentos.

Vale a observação de que na última temporada existe uma certa intriga entre eles. No entanto, esta só serve para deixar o casal mais unido, e por sua vez consolidar a união deles.

Conclusão:

Marcada pela forma que tenta emular uma realidade, e fazer com que nós fiquemos muitas vezes chocado, causando sensações adversas, até provocar o riso de forma natural, The office é uma série que ficará marcada para a posteridade. Sem dúvidas, é uma obra feita de forma inteligente, que tenta de forma bem humorada explicar empatia, preconceito a grupos sociais, e causar alegria da sua própria forma.

E Você? já assistiu The Office? Concorda com essa análise? Se ainda não viu não perca mais tempo, todas as temporadas estão disponíveis no serviço Amazon Prime.

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