Crítica | Uma Aventura Lego 2 que acerta mesmo exagerando

Com a intenção certa, muitas vezes com poucos recursos visuais e táteis é possível incentivar a inventividade — sobretudo nas crianças. Já que um dia as mesmas se desenvolverão, é importante que tal estímulo venha desde bastante cedo. E a verdade é que os brinquedinhos Lego, cujos tijolos se encaixam em outros, exercem papel protagonista na vida de muitas crianças. E um filme que usa Lego como ferramenta sempre terá compromissos no mínimo semelhantes.

A nova animação da Warner, dirigida por Mike Mitchell (de Shrek Para Sempre, de 2010, e Trolls, de 2016) e produzida pela dupla dinâmica Phil Lord e Chris Miller (a mesma que dirigiu Tá Chovendo Hambúrguer, de 2009), impressiona pela densidade de material referenciado. Mas também impressiona a falta de habilidade, no entanto, dos cineastas envolvidos em procurar dar a Uma Aventura Lego 2 a mesma capacidade de ser efetivo no humor que o brinquedo no qual se baseia a animação entrega há tanto tempo.

Nomes enormes

O título conta com diversos grandes nomes envolvidos. Chris Pratt (o Peter Quill de Guardiões da Galáxia) é novamente o protagonista Emmet, enquanto Elizabeth Banks (a Trinket de Jogos Vorazes) fez Lucy, Will Arnett (o Gob de Arrested Development) é o Batman e Channing Tatum (Ela Dança, Eu Danço) é o Superman, entre inúmeras outras estrelas (como Gal Gadot e Margot Robbie reprisando seus papéis de Mulher-Maravilha e Arlequina, respectivamente). A interpretação em quase todos os casos é insana, de modo que é absolutamente possível enxergar os personagens claramente quando eles existem (caso dos personagens da DC, mesmo numa comédia infantil), e verificar a identidade/originalidade quando são criados para o filme (como Emmet, Lucy e a rainha de nome divertido que é quem quer ser).

A evolução a partir do primeiro filme, em termos gerais, é boa. A história é interessante e tem momentos de ápice claríssimos, tanto em referências a filmes e notáveis da cultura pop quanto em intenções de reviravolta mais próximas do final. Apesar da inocência de certas cenas, o roteiro sabe encaixar momentos de oportunidade imersiva e de paródia muito poderosos.

E é essa mescla de desbaratamento com piração que dão a tônica do filme. E realmente não há nada perdido; é um filme que se aproveita muito bem sem se levar a sério em momento algum. E quando enxerga uma oportunidade de rir, faz rir sem medo — e talvez apenas aqui caiba uma crítica. O nível de humor entregue pelo filme é asfixiante, a ponto de quase tudo ser feito — sobretudo na versão dublada — com quase intensidade demais. O filme apela para o riso, e é sempre bom dar risadas desde que sejam honestas. E o filme mergulha fundo demais no quesito.

Fica para o público decidir se gosta e se deseja dessa forma, porque falta da trilha sonora original praticamente anulada ele não sentirá.

Promessa cumprida com exageros

A verdade é que Lego 2 é um filme muito bem-intencionado e muito honesto, e por isso já merece ser visto por todos nós. A qualidade gráfica entregue continua sensacional (a Animal Logic continua fazendo um trabalho espetacular após ser premiada por Lego 1 e Happy Feet: O Pinguim), o clima de liberdade é soberbo e a interpretação é — como sempre — um alicerce muito confiável e duradouro para qualquer filme. O filme absolutamente cumpre tudo aquilo que promete.

O que é discutível é o quanto a imersão no tipo de humor tão específico do filme, essa a irreverência transtornada e beirando a desorientação, ajuda ou atrapalha a entender e efetivamente manter o espectador dentro da trama. Mas ainda assim, com essa raríssima exceção, o longa merece todo tipo de elogios. É ver para crer a força com que a Warner consegue dar cabo de um filme assustadoramente independente do resto que costuma lançar, no sentido literal, em praticamente todos os sentidos. E ainda assim, fazer o fã reconhecer vínculos.

E exageros à parte, atrelados totalmente ao gosto de quem vê, consegue mesmo.

Homem-Aranha | ‘No Aranhaverso’ leva Globo de Ouro

Ontem, tivemos a premiação da 76ª edição do Globo de Ouro. Nela, o filme Homem-Aranha: No Aranhaverso, que estreia no Brasil essa semana, levou o prêmio de melhor animação. Além do longa do Cabeça de Teia, concorriam à honraria Os Incríveis 2, Ilha dos Cachorros, Mirai e WiFi Ralph: Quebrando a Internet.

O longa animado é o primeiro do tipo com a franquia do Homem-Aranha, e se encontra imerso do Aranhaverso – uma espécie de multiverso compartilhado. Nela, as várias versões do Teioso (como a Mulher-Aranha e o Homem-Aranha Noir) se reúnem para enfrentar o Rei do Crime.

Demais destaques

Resultado de imagem para a staR IS BORN 2018Os demais destaques para a premiação ficaram por conta de Kelleth Cuthbert, bela modelo que a internet viralizou como a “garota da água”, que aparecia o tempo inteiro no tapete vermelho da premiação ao fundo dos artistas carregando água para quem precisasse.

Na premiação em si, os donos da noite no que tange ao cinema foram Green Book: O Guia (que ganhou Melhor Filme Musical ou Comédia, Melhor Roteiro em Cinema e Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali) e Bohemian Rhapsody (Melhor Filme de Drama, Melhor Ator em Filme de Drama para Rami Malek) e Roma (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Diretor para Alfonso Cuarón). Lady Gaga também roubou a cena ao se emocionar profundamente no recebimento do seu prêmio de Melhor Canção Original para “Shallow”, música tema no remake de Nasce uma Estrela.

Já na TV, os destaques ficaram com The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story (Melhor Minissérie ou Filme para a Televisão, e Melhor Ator de Minissérie ou Filme para a Televisão), e The Kominsky Method (Melhor Série Musical ou Comédia, além de Melhor Ator de Série Musical ou Comédia para Michael Douglas), ambas com duas confirmações.

Premiação é tida como uma prévia do Oscar

A HFPA (Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood) sediou ontem, por fim, a cerimônia do Globo de Ouro. Entregando prêmios para o mundo do cinema desde 1944 (e pra TV desde 1956), a 76ª edição foi transmitida ontem à noite pelo canal TNT, aqui no Brasil.

 

 

“Batman: Gotham por Gaslight” é o próximo filme animado da DC

A próxima animação em filme da DC será a adaptação do livro único de 1989 Batman: Gothan por Gaslight, de acordo com a contra capa do bluray da animação de Batman e Harley Quinn vendido pela Amazon americana.

Escrito por Brian Augustyn e desenhado por Mike Mignola, Batman: Gothan por Gaslight é basicamente a primeira história do arco de “Outros mundos” feitas pela DC (Elseworlds, em inglês).

Situado no final do século XIX, Bruce Wayne/Batman segue em investigação contra Jack, o estripador. Augustyn escreveu uma sequência anos depois, entitulado de O Mestre do Futuro, tendo como artista Eduardo Barreto.

Ainda não foi dada nenhuma data de lançamento da animação.

Confira a capa e contra-capa do Blu-Ray: