Um verdadeiro Herói – Superman: Entre a Foice e o Martelo

Muitos que leram Superman – Re Son podem encarar a história com esse pensamento; o Superman é perigoso! Se um dia ele decidir pegar o mundo e coloca-lo debaixo do seu braço, nós, meros mortais, não teremos chance contra o ser superior.

Mas, Superman – Entre a Foice e o Martelo é muito mais, MUITO MAIS profundo que isso.

Escrito por Mark Millar e com a arte de Dave Johnson a HQ nos mostra um Superman diferente, não apenas o herói, o quadrinho nos apresenta um mundo totalmente diferente. É interessante ver como um único fato pode mudar todo o curso de uma história, e nessa excelente obra, vemos que, a queda de Kal-El em Smallville é sim, um dos acontecimento mais importante do universo DC Comics.

Na história, Clark não caiu nos EUA, na verdade a sua nave tardou 12 horas para aterrissar e acabou “pousando” na Ucrânia. Em vez de ser o escoteiro com os ideias americanos, Superman é um herói Soviético.

Em meio a Guerra Fria, com diversas corridas governamentais, camarada Stalin (como é citado na HQ) não tardou em colocar o “vermelhão” em papel de destaque na nação. Logo na sua primeira aparição, Kal-El chocou todo o mundo, inclusive um dos cidadãos mais solenes da nossa terra, Lex Luthor.

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Se a arma dos Soviéticos é Clark, a dos Americanos é o intelecto de Luthor. Os EUA não demoraram em pedir ajuda para o empresário, que por sua vez, também não tardou em construi um plano para derrotar Superman.

Spoilers a parte, a história é impressionante, ela possui um ótima narrativa com um ótimo ritmo de leitura. Não é à toa que ela é considerada como uma das melhores histórias do herói.

Agora vamos ao que interessa! No começo do texto comentei que o quadrinho é muito mais profundo do que a rasa interpretação de “Superman ditador”, no seu final ele me levou as lágrimas com seus dilemas e reflexões.

Ter um Superman ditador não é algo pouco usado, vemos isso acontecer em Injustiça, Reino do Amanha e em muitos outros arcos de história. Isso é muito utilizado, pois, ter o símbolo de esperança convertido a um cruel totalitarista é um Plot muito interessante.

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Eu, como fã do herói, nunca gostei de ver o ultimo filho de Krypton nessa situação. Sempre achei que isso enfraquecia o personagem, mostrando que, a linha que ele atua é tênue e, basta uma tragédia, para ser ultrapassada.

Porém , Entre a Foice e o Martelo fez com que eu mudasse minha opinião sobre isso. Ter uma historia de universo paralelo que coloca o azulão como ditador não age como Kryptonita na índole do personagem, muito pelo contrario, ela reforça o poder que a psique do Superman tem.

Esperança, essa talvez seja a palavra mais forte no caráter do personagem, e é isso que faz com que ele não aja como um ditador barato. O Superman podia muito bem ignorar os governos e suas leis, mas, mesmo com todo a sua força, ele escolhe não fazer isso.

Isso é o caráter do verdadeiro herói, ele não faz justiça por que quer vingança, nem por um ideal, ele faz por que é o dever dele fazer. Clark, em todo o seu poder, se sente responsável pelo mundo. Ele pensa que é sua obrigação cuidar da Terra, e esse cuidado não se mistura com intervir nas nossas decisões.

O Superman tem o poder para tornar o mundo um lugar “ideal” para se viver. Ainda assim, com esse poder, ele prefere deixar o homem ter o controle, mesmo que muitas vezes erremos.

Ter o poder de fazer tudo da sua forma, e mesmo assim não fazer! Isso é ser um herói de verdade.