[Crítica] Rogue One – um spin-off com personagens mais humanizados, com um toque de nostalgia.

O primeiro filme da nova fase franquia desafia e é bem diferente de todos os outros sete episódios. Em 1977, com o lançamento de Star Wars: Uma Nova Esperança, fomos introduzidos ao Universo criado por George Lucas, e que, neste primeiro filme, mostra como a Aliança Rebelde consegue os planos da Estrela da Morte, a poderosa arma de destruição do Império Galáctico.

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Com Rogue One, a história de como os Rebeldes têm acesso a esse plano é contada. Por ser um spin-off, a sequência de como os eventos são retratados não tem tanta similaridade com o cânone clássico: vemos guerra, batalhas e aventuras até então não exploradas. Finalmente vemos a verdadeira Guerra Nas Estrelas, e no solo também. Mesmo já conhecendo o desfecho da narrativa, o diretor Gareth Edwards consegue nos apresentar algo bem diferente e animador, que agrada e surpreende a todos.

Os personagens aqui não são todos mocinhos bons e puros como sempre foram retratados. As suas ações têm consequências e mostra um lado cinza da Aliança Rebelde, seguindo a linha da humanização de personagens de franquias clássicas que temos visto em vários filmes lançados nos últimos anos. Vemos que mesmo dentro de uma Aliança com o mesmo objetivo, é possível ter divergências. Alguns são mais radicais que os outros, e há diferentes formas de solucionar um problema, que nem todos vão concordar, mas que é preciso chegar num consenso para um bem maior. Para vencer a repressão imposta pelo Império, é seguida uma linha de decisões difíceis, que dificilmente apareceria na trilogia clássica. O filme é bem relacionável com os dias de hoje, em que enfrentamos uma crise mundial. São tempos obscuros, em que a fantasia em excesso não é exatamente o que o público quer. A humanização em Rogue One torna os personagens muito mais interessantes e relacionáveis, com suas qualidades e defeitos presentes em qualquer ser humano.

Unidos, mas nem todos com a mesma ideologia, a equipe tem o objetivo de acabar com a Estrela da Morte comandada por Orson Krennic (Ben Mendelsohn). A dupla que lidera essa equipe de rebeldes, Cassian Andor, um jovem que coloca os intereses rebeldes acima de tudo e Jyn Erso, que durante toda a trama é movida por interesse de outros personagens – principalmente do pai Galen Erso, importante cientista do Império – pecam no quesito simpatia e carisma. Jyn não é uma personagem tão bem explorada, e não chega ao mesmo patamar de heroína que Rey e Leia chegaram, mesmo tendo toda a trama ao seu favor.

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Entretando, os outros personagens são bem interessantes e compõem muito bem a história. Chirrut Îmwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Wen Jiang) são do tempo em que a Força e os Jedi não eram apenas lenda. Baze, mesmo não possuindo a Força, acredita muito nela e leva como um mantra para sua vida. Como de praxe, não podia um androide que dá suporte ao time: K-2SO é sincero e um tanto quanto sarcástico. Dá um toque de humor à trama sem ser bobalhão.

Mesmo divergindo do caminho de aventuras, vilão versus mocinho, que George Lucas traçou há trinta e nove anos atrás, o filme é feito de fãs para fãs e não deixa de trazer a sensação de nostalgia, principalmente aos que tiveram a infância marcada pela saga. O “fan service” entregado pelo diretor é inegável, mas em momento algum fica saturado. Somos apresentados a ambientes, planetas, naves, personagens e criaturas novas, mas familiares.

PONTOS FORTES E  FRACOS

Pontos fortes: Personalidade própria. Diferente de todos os filmes da Saga, porém, continua com a estética já conhecida. Humor bem encaixado na trama. É utilizado de maneira inteligente, sem ficar desconfortável.
O cenário ambienta o mundo criado pelo George Lucas, e a trilha traz elementos dos filmes antigos, mas com tons um pouco mais sérios, encaixando muito bem.

Pontos fracos: Bom arco, aproveitamento mediano. A personagem de Felicity Jones poderia ser uma heroína ao nível que o filme oferece. Já que está acontecendo uma verdadeira Guerra, poderia mostrar cenas dela sendo um pouco mais guerreira. Acaba que ela perde um pouco do protagonismo para os outros Rebeldes.

 

NOTA: 9,5