Crítica| Sex Education: Série teen foge do senso comum ao explorar a sexualidade sem tabus

Sex Education aborda temas tabus como homofobia, gravidez na adolescência, aborto, masturbação, perda da virgindade, empoderamento feminino e principalmente, descoberta e aceitação da própria sexualidade. Se está afim de assistir uma série teen que foge do senso comum e explora o sexo de forma simples e natural, mas sem perder a sensibilidade e profundidade necessária ao tema, está esperando o quê para dar logo uma chance?

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“Existem 7 bilhões de pessoas no mundo e uma delas vai até escalar uma lua por você”

Quando uma nova série teen é lançada já imaginamos logo uma premissa clichê: A menina nerd excluída da escola, contrariando todas as expectativas, conquista o coração do garoto popular, capitão do time de baseball do colégio que, de quebra, namora a líder de torcida patricinha. É essa a primeira imagem que nos vêm à cabeça, certo?

Só que Sex Education surgiu justamente para acabar com essa repetição de clichês e para provar que série para adolescente não precisa ser voltada só para esse tipo de público.

Afinal, apesar da maioria dos personagens ainda estarem na escola, passando por experiências próprias da idade, não precisa ser jovem para se identificar com os dramas que eles vivem.

Acabou aquela história de que séries com essa temática são obrigatoriamente bobinhas e sem muita profundidade. Basta lembrar do sucesso que a primeira temporada de 13 Reasons Why fez, para entender o que estamos falando.

Mas, então, por que Sex Education é diferente daquilo que estamos acostumados?

Como toda série colegial, o protagonista também é nerd, virgem, sem muito jeito para relacionamentos, invisível socialmente e, tudo aquilo que estamos habituados. Porém, ele é muito mais do que isso.

Otis (interpretado por Asa Butterfield, de A Invenção de Hugo Cabret, O menino do Pijama Listrado, dentre outros) é filho de terapeutas sexuais. (SPOILER) Quando criança, sofreu um trauma, ao ver, por acaso, seu pai transando com uma paciente dentro de casa.

Depois disso, desenvolveu uma espécie de bloqueio sexual, fazendo com que qualquer contato íntimo fosse visto por ele como algo doloroso e aterrorizante.

Sua mãe (Gillian Anderson), é uma mulher aparentemente bem resolvida e segura de si, que é expert em sexo. Trata tanto sua vida sexual quanto a dos outros —principalmente a de seu filho— com extrema naturalidade, chegando a ser invasiva e controladora.

Sua personalidade super protetora, lembra até mesmo, em certos momentos, a Norma Bates do Bates Motel. Mas claro, que de forma bem mais leve.

Apesar dos esforços dela em transparecer a imagem de uma mulher desapegada, que não se envolve sentimentalmente, não é bem o que parece. Na verdade, essa foi a forma que ela encontrou para lidar com o trauma ocasionado pela traição do marido. E a todo momento, dá a impressão de que ela usa o filho para suprir as carências dela.

Mas o que Otis não esperava era o fato de que acabaria seguindo os passos de sua mãe. Ao conseguir ajudar, por acaso, adam (Connor Swindells), o valentão da escola, a superar seus bloqueios sexuais, Maeve (Emma Mackey), uma garota vista como rebelde dentro daquele contexto, propõe a ele uma parceria de negócios; dar apoio terapêutico e sexual para os alunos do colégio.

O que parecia ser algo improvável se torna uma parceria de sucesso. Mesmo sem nenhuma experiência na prática, na teoria Otis herdou o talento de sua mãe. Consegue descobrir exatamente onde está o problema e dar o conselho certeiro para os dilemas sexuais daqueles adolescentes.

No início, o que é visto com estranheza pelos outros —Afinal, ele é apenas um garoto de 16 anos, como pode ter tanto conhecimento? — posteriormente, acaba fazendo com que ele receba o apelido de mestre do sexo, devido a sua tamanha sabedoria.

O ponto alto de Sex Education são seus personagens, um mais interessante e carismático que o outro. Com destaque para Adam, Eric e Maeve.

Adam é filho do diretor do colégio e tem aquela típica família americana “perfeita”. Seu pai é um homem autoritário e exigente, que não demonstra nenhum amor pelo filho.

Por causa disso, Adam se torna aquele conhecido exemplo do menino que persegue e pratica bullying com os outros, principalmente os gays, porque tem (SPOILER) tendências homossexuais reprimidas e, sente inveja da liberdade que ele nunca teria coragem de ter. A cena dele com o Eric foi um dos melhores momentos da série.

Eric e Maeve, por sua vez, representam exatamente o contrário. São a personificação da autenticidade dentro daquela escola. Eric, independente da opinião alheia, não permite que lhe digam quem deve ser, assumindo e sustentando suas escolhas e, tentando se manter forte na medida do possível.

Já Maeve, melhor personagem da série, assim como Otis, é uma garota muito madura pra sua idade. Foi abandonada por seus pais junto com seu irmão viciado e irresponsável, enxergando na parceria com Otis uma forma de lucrar e impedir que não seja despejada do trailer onde mora.

Sex Education aborda temas tabus como homofobia, gravidez na adolescência, aborto, masturbação, perda da virgindade, empoderamento feminino e principalmente, descoberta e aceitação da própria sexualidade.

Tudo isso ancorado por uma atmosfera que em certos momentos, nos remete à série Glee (só que sem a parte musical) e filmes do fim dos anos 90, como As Patricinhas de Bervelly Hills. A personagem Aimee de Sex Education, tem inclusive, uma personalidade bem parecida com a Cher do filme teen de 1995. Ambas andam com os populares, mas não rejeitam os excluídos.

Se está afim de assistir uma série teen que foge do senso comum e explora o sexo de forma simples e natural, mas sem perder a sensibilidade e profundidade necessária ao tema, está esperando o quê para dar logo uma chance à Sex Education?

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