Críticas

[CRÍTICA] Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal

[CRÍTICA] Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal
“As pessoas não tem imaginação para a realidade.” (Goethe)   Com essa frase o longa sobre Ted Bundy se inicia e não poderia ter frase melhor para definir o caso de um dos serial killers mais famosos dos Estados Unidos como essa. Carismático, extremamente inteligente, sempre com um largo sorriso no rosto, um belo par de olhos azuis que inspiravam simultaneamente confiança e simpatia a quem os observava e para completar, um senso de humor afiado que mesmo nos piores momentos permanecia intacto. Como desconfiar de alguém com características tão admiráveis? Seria possível ter um monstro escondido por detrás daquele príncipe encantado que a sociedade (principalmente as mulheres) enxergava? Dirigido por Joe Berlinger (o mesmo do documentário produzido pela Netflix sobre o assassino) e protagonizado Por Zac Efron, o filme se preocupa em focar no julgamento de Ted até sua condenação a  pena de morte, mostrando como ocorreu todo o processo de recolhimento de provas, interrogatório, inúmeras trocas de advogados, acusações e, insistência de Ted em ser visto como inocente apesar de todos os indícios estarem contra ele. Fator esse, que em alguns momentos torna a narrativa um pouco lenta e cansativa, mesmo com o Zac Efron conseguindo segurar muito bem essas cenas e reproduzindo de forma praticamente idêntica os trejeitos, expressões e linguajar prepotente, porém cativante e amigável de Ted. Tal semelhança pôde ser comprovada no final do longa ao apresentar alguns fragmentos gravados durante o processo de julgamento do caso, que na época foi ao ar em tv aberta para que todos pudessem assistir, como uma espécie de circo midiático criado em torno do réu. Depois do ótimo trabalho em O Rei do Show (2017), mais uma vez Zac Efron se destaca deixando claro o quanto evoluiu como ator desde o início de sua carreira em High School Music. E quem diria que aquele garoto inexperiente do musical teen iria um dia estrelar (e com muita desenvoltura) um filme sobre Ted Bundy? Faltou um aprofundamento maior sobre a vida de Bundy. Em nenhum momento o filme conta como foi a infância e juventude dele, como também não explora a relação com sua família, se limitando apenas a pequenas aparições de sua mãe biológica, uma senhora que pelo pouco que foi mostrado aparentava ser alguém muito cristã (talvez até um pouco fanática) e incrédula da perversão que dominava seu filho. https://www.youtube.com/watch?v=VrePOzNfYHE Portanto, se seu objetivo é entender a mente por trás de todos aqueles crimes que chocaram os Estados Unidos nos anos 70 é mais recomendado assistir a série documental dividida em 4 episódios da Netfix (Conversando com um Serial Killer), pois nela, embora também foque no julgamento, expõe um pouco mais o que pode ter originado a crueldade de Ted Bundy. Através dela confirmamos o quanto sua mãe Louise, que por muito tempo fingiu ser sua irmã, se recusava a aceitar a realidade dos fatos teimando em permanecer no estado de negação até mesmo depois de ouvir as fitas com a confissão de Ted. " O livro estava quase pronto e sentimos uma responsabilidade para com sua mãe e padrasto de contar a eles o que ele tinha nos dito e o que publicaríamos. Então, fomos a Seattle e levamos o gravador. Louise sentou ao lado do gravador e eu, ao lado dela. Ted começa a falar, sua voz é ouvida e ele fala de assassinatos. Louise começa a emitir uns sons, quase como um rato, uns guinchos. E só escutou. E perguntamos: "Vocês tem alguma pergunta?" E nenhum deles tinha nenhuma pergunta. Então, desligamos o gravador, ela levantou e apenas disse: "Quem quer torta de maçã e sorvete?" (documentário da Netflix, Conversando com um serial killer)  A produção da Netflix também conta um pouco sobre a primeira namorada do assassino e como o fato dela ter uma condição financeira superior a sua e o ter abandonado fez com que ele se sentisse impotente, inferior e menosprezado diante da vida e das mulheres sobretudo. Após o término do relacionamento ele chegou a desenvolver uma grave depressão e a abandonar os estudos. Ted Bundy escolhia suas vítimas através de características físicas específicas. Alguns estudiosos de perfis de serial killers acreditam que todas se assemelhavam a sua mãe e outros, afirmam que na verdade ele procurava sua ex namorada em todas as mulheres que assassinava. Talvez ele buscasse nas outras um conjunto das duas mulheres que o rejeitaram. De qualquer forma, independente de quem realmente tenha “causado” esse anseio de matar dentro dele, uma coisa é certa. A cada morte ele externalizava seu desejo de vingança e ódio que sentia em relação às mulheres. E ao tirar suas vidas ele sentia como se o poder de certa forma fosse devolvido para si. Ser capaz de manipular pessoas, encantá-las, conquistando a confiança ou medo delas era a maneira dele de manter o controle sobre elas. Afinal, se ele não fosse uma figura tão envolvente não exerceria o domínio sobre os outros e até mesmo sobre o próprio juiz que cuidava de seu caso, numa das cenas mais marcantes do longa e também do documentário. " Cuide-se jovem. Estou sendo sincero. Cuide-se. É uma tragédia este tribunal ver tamanho desperdício, eu acho, da humanidade que já presenciei neste tribunal. Você é um jovem brilhante. Seria um ótimo advogado. Eu adoraria vê-lo atuar na minha frente, mas você seguiu outro caminho. Se cuide. Não tenho nada contra você, quero que saiba disso."

Liz: A vítima que mais sofreu na mão de Bundy

" Quando sinto o amor dele, eu me sinto no topo do mundo. E só de pensar em perde-lo sinto que não sou nada."

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Um breve resumo sobre o passado de Ted Bundy

“Nós, serial killers, somos seus filhos, seus maridos, estamos em toda parte. E haverá mais de suas crianças mortas amanhã” (Ted Bundy)

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