Crítica | Duna – Um filme que vale a pena ser visto

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Duna | Crítica - NerdBunker

 

A nova versão do filme Duna, adaptação do clássico livro de ficção científica do autor Frank Herbert, é dirigida por Denis Villeneuve, conhecido pelo trabalho em A Chegada (2016) e Blade Runner (2017). Para quem não é familiarizado, Duna se passa em um futuro longínquo e acompanhamos Paul Atreides, cuja família passa a administrar o planeta desértico Arrakis (conhecido como “Duna”), única fonte da especiaria rara “mélange”, material mais valioso do universo, sendo fundamental para a viagem espacial, uma droga que prolonga a vida humana e fornece níveis acelerados de pensamento. Ao mesmo tempo, uma conspiração se forma contra os Atreides, o destino de Duna está em jogo e o próprio Paul está no centro de uma antiga profecia.

Diferente da adaptação de 1984, dirigida por David Lynch, a atual divide a história em duas partes e pode pegar de surpresa o espectador desavisado que lê “Duna: Primeira Parte” quando o filme começa, mas garanto que a divisão é feita no momento certo. O ritmo durante todo o tempo é mais devagar, usando todo o tempo que tem para as cenas, a vantagem é não existir mudança nesse ritmo, portanto não existe um desconforto, mas o que deveria ser um filme com tempo de sobra para introduzir todas as questões que englobam esse universo, acaba se tornando por vezes arrastado.

Durante a história, quem assiste, consegue entender que existem questões políticas, econômicas, religiosas e ecológicas importantes que moldam o universo onde está sendo ambientado e são a justificativa para o que está acontecendo no filme, apesar disso, o foco principal fica na jornada de Paul Atreides, deixando de lado os outros tópicos que deixariam a narrativa mais densa, muitos assuntos são introduzidos, mas não desenvolvidos e por
conta da divisão do filme, o próximo pode vir a evoluir esses assuntos, entretanto, talvez fique conteúdo demais para ficar devendo.

Apesar disso tudo, devo dizer que a adaptação do escudo pessoal foi feita de maneira bem interessante, com as mudanças de cor de acordo com a pressão e as cenas de luta são bem feitas, mesmo o corpo dos atores não
tendo muita liberdade de movimento por conta dos trajes, além de que, em comparação com a antiga versão, a questão religiosa é melhor abordada, a ecológica é ampliada e apesar da falta que eu admito ter sentido de ouvir os personagens conversando eles mesmos, ver diferentes idiomas sendo usados é algo que acrescentou pontos.

O elenco e personagens de Duna:

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O elenco traz nomes de peso e foram muito bem no geral, mas é possível ver que o protagonista de Timothée Chalamet acabou passando bastante tempo com as previsões e nos sonhos com a Chani (Zendaya). A participação e influência das Bene Gesserit foi bem introduzida, mas o lado “místico”, até o fato de escolherem o gênero dos próprios filhos, como Lady Jessica (Rebecca Ferguson) fez, não ficou muito destacado, o Duncan de Jason Momoa foi o personagem descontraído que trouxe mais leveza nas cenas em que aparecia, Sharon Duncan-Brewster faz a ecologista imperial Liet-Kynes que teve o importante papel de introduzir melhor o problema climático de Duna e Oscar Isaac fez um ótimo Duque Leto Atreides, mas achei a participação de Stellan Skarsgård um tanto apagada como Barão Vladimir Harkonnen, quando ele finalmente aparecia, pouco mostrava e eram cenas relativamente rápidas, Dave Baustista também teve uma participação bem singela como Rabban, sobrinho do Barão e senti que a casa dos Harkonnen estrategistas da violência do que personagens violentos de maneira crua e brutal. A pouca participação da Zendaya e até de Javier Bardem é justificável pelo fato dos personagens serem mais
participativos apenas a partir da metade da história.

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Conclusão:

Apesar de toda crítica, independente dos pontos que se sente falta, Duna é um filme que vale a pena ser visto, com um roteiro que cresce de maneira bem feita, as equipes de VFX fizeram um excelente trabalho com a adaptação das naves, os cenários e as cenas dos vermes percorrendo a areia de maneira leve. Apesar da paleta de cores mais neutra em geral, a fotografia de cada planeta foi fascinante, principalmente em Caladan, quando a família se mudou e toda a passagem por Duna, que com a qualidade técnica, me fez associar as cenas dos vermes na areia a monstros no mar. O filme é um bom palco para discutir sobre a exploração de povos nativos e seu bioma em nome do lucro e como se desenvolve a luta dos fremen, os nativos de Duna, contra essa exploração, permite que o público conecte com a realidade de tantos povos ao redor do mundo. Agora é esperar ansiosamente pela continuação.

Duna chega aos cinemas dia 21 de outubro.

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