Aves de Rapina | Crítica

Arlequina está livre leve e solta em Gotham

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Uma emancipação fabulosa da DC

No início havia o Coringa

Eu particularmente entrei sem muitas expectativas para ver Aves de Rapina, afinal estava ainda com aquela sensação amarga de esquadrão suicida ainda na boca. Mas surpreendentemente eu me deparei com um filme que sabe ser alegre, triste, engraçado mas peca quando tenta explicar demais isso ao espectador. 

O filme é narrado pela Arlequina (Margot Robbie) contando inicialmente como ela e Mr. C (Coringa) se conheceram e após vieram a se separar. Arlequina, talvez assim como o próprio coringa, é odiada por boa parte de Gotham e sem a proteção do palhaço do crime começa a sofrer as consequências de seus atos. A partir disso ela dá de cara com Máscara Negra (Ewan McGregor), que tem uma tonelada de assuntos não resolvidos com ela e o palhaço e por isso resolve ir atrás de Harley.

As atuações tanto de Margot Robbie quanto de Ewan McGregor são um show à parte, a química dos dois em cena convence que ele realmente a odeia e que ela o teme de alguma forma. O longa também conta com as personagens de Mary Elizabeth Winstead como Helena Bertinelli / Caçadora, Jurnee Smollett-Bell como Dinah Lance / Canário Negro, Rosie Perez como Renee Montoya, Ella Jay Basco como Cassandra Cain e Chris Messina como Victor Zsasz.  

 

Nem tudo são flores

Infelizmente o filme não explora a rica história de outros personagens da DC citados como Cassandra Cain ou a Caçadora, que no filme são só personagens que acabam se enfiando na história de alguma forma, o mesmo vale para Canário Negro e Renee Montoya. A história em si é rasa mas agradará o grande público. Ainda há em boa parte do filme representações com bastante violência (natural ao se tratar de um filme de gangster) e cenas explícitas de sangue, uso de drogas e referências a crimes sexuais. Tudo isso lhe rendeu uma indicação +16 nas salas de cinema brasileiras. 

O longa em si não é ruim, ele é divertido em seus momentos cômicos e tenta se levar a sério ao mostrar um mundo em que o dinheiro manda. Mas para alguns a montagem pode logo se tornar massante ao explicar cada detalhe e cada cena do primeiro até metade do segundo ato do filme, o terceiro não desenvolve muito sendo só uma preparação para o quarto ato. E que quarto ato. Dos figurinos às coreografias das lutas, saí da sessão imaginando que nunca tinha visto uma mulher bater em tantos homens antes usando PATINS. Há também uma boa cena em que todas as “heroínas” tentam lutar e proteger Cassandra Cain (Ella Jay Basco) ao mesmo tempo o que rende uns bons momentos prendendo a respiração. 

Um toque feminino fez toda a diferença

A direção de Cathy Yan surpreende ao mostrar uma Arlequina (Robbie) que está fragilizada por terminar um longo relacionamento de abusos constantes, em contraste com uma mulher forte que invade uma delegacia(cheia de homens)sozinha. Ao mesmo tempo que ela chora e se enfia naquela bad pós-término, ela tem a determinação de cumprir seus objetivos. A direção e a produção deixaram bem claro que dessa vez a personagem não seria super sexualizada e que isso não era necessário para deixar-lá popular, afinal que menina não adoraria pegar um taco de baseball e encher um cara chato de porrada? Brincadeiras a parte, o filme é corajoso o suficiente de ser o que é, sem apelar para estereótipos. A direção e a produção acertaram em tentar fazer diferente dessa vez e a escolha deu resultado. 

A conclusão é de que a DC começa a acertar a mão em seus filmes – Finalmente – mas ainda não chegamos ao nirvana. Há partes no filme em que ele é massante e às vezes desnecessário. Mas fora a narrativa um pouco confusa, todo o resto é agradável, os figurinos, a trilha sonora e as atuações. Aves de Rapina é mais um passo no rumo da Warner e a DC de achar o ritmo para seus filmes e quando acharem o mercado vai ficar bem interessante.

Nota: 8,5/10.

Versão "Rise" 5.0.1 beta - Crafted with ❤ by @mattzbarbosa
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