Vingadores: Guerra Infinita | Thor, o Rompe-Tormentas

Finalmente podemos dizer que o Thor de Chris Hemsworth se tornou o verdadeiro filho de Odin! Depois de não acertarem no Deus do Trovão em 2 filmes solos e 2 Vingadores, Thor: Ragnarok e Vingadores: Guerra Infinita (esse principalmente) conseguiram mostrar o herói que todos queriam. Com nova roupagem, novo corte de cabelo e novo martelo – machado, melhor dizendo.

“Quem são vocês, galera?”

A história de Thor no filme começa exatamente no fim de Thor: Ragnarok. E, logo após, ele é o primeiro Vingador a encontrar os Guardiões da Galáxia. Para os grandes fãs de quadrinhos e do personagem, esse momento é familiar. O encontro entre o herói e a equipe é bem similiar ao que ocorre na primeira edição desse encontro nas HQs. Em Thor Annual #6 (publicado no Brasil como O Poderoso Thor – Trovão do Século 31), de Roger Stern e Len Wein, os Guardiões da Galáxia encontram Thor à deriva e congelado no espaço. A grande diferença entre o filme e o quadrinho é a equipe dos Guardiões. Não tem Senhor das Estrelas, Gamora, Rocket ou Groot; ela é formada pelos Guardiões originais – e do futuro (hoje chamados de Guardiões 3000): Águia Estelar, Yondu, Major Vance Astro, Martinex, Charlie-27 e Nikki. Curiosamente – com exceção de Nikki – o diretor James Gunn, colocou todos esses membros em Guardiões da Galáxia Vol. 2, como membros dos Saqueadores (Ravagers no original). Um belo fã service!

“Eitri, sou eu!”

Thor foi um dos poucos personagens, no filme, que teve um arco completo. E muito se deve ao fato de seu martelo, Mjolnir, ter sido destruído por Hela. Após o encontro com os Guardiões, o Deus do Trovão parte para Nidavellir – com Rocket e Groot – para forjar uma nova arma: o Rompe-Tormentas. Nos quadrinhos essa aventura aconteceu um pouco diferente. Na edição #339 de O Poderoso Thor, de Walt Simonson, não era para Thor que o machado seria forjado (como no filme) e sim para Bill Raio Beta. Eitri forjou o Rompe-Tormentas a pedido de Odin para Bill após a vitória em combate contra Thor. No filme, Eitri é o último anão de Nidavellir, pois Thanos matou todos após fazerem a Manopla. E, apesar de estar com as mão petrificadas, o anão forja o machado com a ajuda de Groot. Assim, Thor está pronto para a batalha.

“Traga-me o Thanos!”

Gritos. Aplausos. Assobios. Euforia. Pode descrever facilmente a chegada de Thor, Rocket e Groot em Wakanda. Podendo conjurar a Bifrost (a Ponte do Arco-Íris), o Rompe-Tormentas chega como um mensageiro do que está por vir. Embalado com o ápice do maravilhoso tema dos Vingadores (de Alan Silvestri), Thor faz um entrada triunfal em meio a batalha, deixando Steve Rogers, T’Challa e o público de boca aberta. Depois de anos desapontando os fãs nos cinemas, Thor, o Deus do Trovão, estava lá. O Poderoso Thor dos quadrinhos! Quando o céu escurece, os raios aparecem e o Rompe-Tormentas atinge o chão, não existe dúvida de que esse é o Thor que pedimos há anos. Uma sensação de felicidade e nerdice. Thor se tornou nos cinemas, literalmente, um rompe-tormentas.

Vingadores: Guerra Infinita | Homem-Aranha e sua batalha final

Obviamente o texto contém spoilers de Guerra Infinita.

O final de Vingadores: Guerra Infinita pegou muita gente de surpresa com o final impactante. O estalar de dedos de Thanos trouxe morte à metade do universo, sendo assim, vários heróis viraram pó, literalmente. E uma das cenas mais emocionantes do filme – trazendo lágrimas ao público -, foi Peter Parker se desculpando com Tony Stark e morrendo.

“Não posso ser o amigão da vizinhança se não tiver vizinhança.”

Não é de hoje que Tom Holland vem mostrando grandes atuações e um talento para drama – já tendo mostrado isso no próprio filme solo do Aranha (naquela cena dos escombros, leia aqui). O Homem-Aranha de Holland, pelo menos ainda, não ouviu a famosa frase “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, mas nem precisa. Você lê nos olhos de Holland o senso de responsabilidade de Peter, mesmo que o próprio não saiba. E quando ele decide ajudar Stark e Strange, ele não só se torna um Vingador, como se torna o melhor de todos eles.

“Sr. Stark, eu não estou me sentindo bem. Eu não quero ir.”

Facilmente essa se torna uma das cenas mais emotivas dos 10 anos do Universo Cinematográfico Marvel. E foi improvisada por Tom Holland. Agora, o supervisor de efeitos especiais, Matt Aiken (via Screen Rant), disse porque a morte de Peter é mais demorada do que a dos outros.

“O Aranha realmente está lutando. Ele definitivamente não quer ir e está lutando… ele é incrivelmente poderoso, então consegue segurar um pouco mais do que alguns outros, mas no final ele não consegue suportar. 

A luta de Peter contra a morte se dá, talvez, devido ao Sentido Aranha, que avisou do perigo se aproximando. A cena toda ganha uma peso emocional ainda maior, pelo relacionamento de Stark com o garoto, em Homem-Aranha: De Volta ao Lar. A relação mentor-aprendiz, que se desenvolve entre os dois, além da admiração mútua, faz com que a cena se torne mais carregada de emoção. E com certeza deixará marcas profundas em Tony Stark no futuro próximo.

“Me desculpe…”

Após uma participação, um filme solo e um Vingadores, Tom Holland vem se tornando o melhor Homem-Aranha dos cinemas. Para muitos já é – e tem motivos para ser. Apesar da morte emocional e impactante, esperamos ver o Teioso de volta ano que vem. E nós te desculpamos, Holland, por nos fazer chorar. Afinal, você é nosso amigo de sempre, o Homem-Aranha.

Luke Skywalker está realmente diferente?

Star Wars: Os Últimos Jedi estreou recentemente nos cinemas brasileiros, e, apesar da grande aceitação da crítica especializada, teve opiniões bem polarizadas dos fãs da saga. Aqui não falaremos sobre todas as coisas do filme, pois temos assunto para dias e dias, mas sim, sobre um dos pontos mais discutidos do filme: Luke Skywalker – que rendeu polêmicas até com o ator Mark Hamill. Claramente, o texto contém SPOILERS do filme. Então continue lendo apenas se você assistiu – ou se não se importa com spoilers.

A história de Luke havia terminado em O Retorno de Jedi em 1983 e foi retomada na nova trilogia iniciada por O Despertar da Força em 2015. O sétimo episódio da saga girou em torno da nova protagonista, Rey, e a busca pela localização do último Jedi, que havia desaparecido após uma tentativa fracassada de criar uma nova Ordem Jedi. A jovem encontra um recluso e “mal-humorado” Luke em Os Últimos Jedi. A pergunta é: Luke Skywalker de Os Últimos Jedi está completamente diferente de Luke Skywalker da primeira trilogia de Star Wars?

Descobrimos que após a queda do Império, Luke levou alguns garotos para formar um novo Templo Jedi. Já que somente ele poderia dar continuidade à religião Jedi. Entre esses novos padawans, estava seu sobrinho, Ben Solo (Kylo Ren), filho de Leia Organa e Han Solo. Kylo Ren foi estabelecido como o vilão da nova trilogia, e agora descobrimos o porquê dele ter se aliado ao Supremo Líder Snoke e ido para o Lado Negro da Força. Após muita relutância, Luke decide treinar Rey, até descobrir nela, o poder que ele mesmo havia visto em Ben Solo – o que o assustou. E depois de um grande conflito com a garota, Luke decide contar-lhe a verdade sobre o seu passado.

Luke percebeu um grande poder surgindo em Ben Solo. E olhando mais de perto, Luke viu o quanto isso era forte e inclinado ao Lado Negro. Um medo incontrolável (de um novo Darth Vader) e uma irracionalidade momentânea, o fez pensar que o melhor caminho era a morte de seu jovem sobrinho. Contudo, quase no mesmo segundo, chocou-se com o que pensara e refutou seu pensamento. Mas era tarde demais. Ben já tinha sido acordado pelo clarão verde do sabre de luz de seu Mestre. E não havia mais volta. Só havia vergonha em Luke. O motivo de seu isolamento. É de se estranhar que, aquele jovem que um dia viu redenção em Darth Vader, faria uma coisa dessa? Na trilogia original de Star Wars, Luke sempre foi movido a emoções. Luke estava disposto a tudo para salvar seus amigos e viu esperança no Lord Sith mais temível da galáxia. O jovem conseguiu, nos momentos finais de vida de Darth Vader, trazê-lo para a Luz novamente e viu a redenção de Anakin. Mas nem sempre de boas emoções viveu o jovem Skywalker. O garoto foi tentado ao Lado Negro da Força muitas vezes, e quase sucumbiu em O Retorno de Jedi. A raiva crescente em Luke para deter o Imperador, o medo de perder os amigos e a tentação de matar Darth Vader. Com tudo isso, Luke facilmente poderia ter se juntado ao Imperador e se tornado um Sith (que era o plano do Imperador), mas ele conseguiu se manter íntegro e ser um Jedi como seu pai um dia havia sido. Então, seria mesmo de estranhar que por um momento de pura irracionalidade, Luke tenha pensado em matar seu sobrinho? Mas assim como em O Retorno de Jedi, Luke percebeu que aquilo estava errado. Porém, esse momentâneo desequilíbrio rendeu consequências graves na história do jovem Ben Solo. O Mestre Jedi, a lenda, Luke Skywalker, tentou matar seu próprio sobrinho! Ele não podia encarar Leia ou Han, depois do que fez. Ele teve um parcela de culpa pelo caminho de Ben. Isso foi seu maior fracasso. E assim como Obi-Wan Kenobi e Yoda, ele se isolou apenas para esperar à morte. Pois o fracasso o havia derrotado. Obi-Wan, – apesar de estar em Tatooine também para proteger Luke – estava no exílio esperando à morte, depois de fracassar com seu padawan. Yoda se exílou em Dagobah após o fracasso em deter o Imperador. O exílio Jedi foi algo estabelecido na trilogia original e na trilogia prequel. O isolamento de Luke, apenas foi mais um desses “exílios Jedi”, quando o mesmo acha que fracassou e espera pela morte. Jedi são falhos, não são perfeitos. E a grande aparição de Yoda em Os Últimos Jedi, é justamente para falar sobre isso.

Luke redescobriu a esperança em Rey. Luke mostrou em sua projeção astral através da Força, aquele quem ele deveria ser, o que ele deveria ter feito. Luke completou sua missão, e assim como Obi-Wan, Yoda e Anakin, pode juntar-se a Força no fim. Então, Luke Skywalker estava realmente tão diferente assim? Personagens evoluem, o Luke de 1983 passou por muita coisa (que já falamos acima) até chegar ao Luke de 2017. E experiências mudam as pessoas. Mas se olharmos bem, podemos ver que esse “velho” Luke Skywalker, é o mesmo garoto, com as mesmas falhas e defeitos da trilogia original. Ele só estava distante de quem ele era, por ter experimentado um fracasso tão grande. Mas no seu último ato, ele se mostrou esperançoso, como aquele jovem olhando para o “pôr-dos-sóis” de Tatooine – literalmente.

O grande final de Luke Skywalker nos traços do nosso querido Leonardo Lima