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Crítica – Atlanta S01 | Inteligência, subversão e comédia ácida: Pare tudo e assista Atlanta!

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A série “Atlanta”, criada e protagonizada por Donald Glover e exibida originalmente na FX, ficou disponível recentemente na Netflix, e, se você tem o costume de assistir suas séries pelo serviço de streaming, não desperdice a chance de assistir essa que é uma das melhores séries lançadas nos últimos anos. Apresentando a história de dois primos, o rapper Paper Boi (Brian Tyree Henry) e seu empresário Earn (Donald Glover) tentando crescer no cenário musical de Atlanta, para melhorar as suas vidas e as vidas de suas famílias. A série conta com críticas sobre a cena do rap, sobre racismo, violência policial, e sobre a sociedade como um todo. É importante dizer que essa crítica conterá alguns spoilers da série, então leia por sua conta em risco.

Earn é um universitário que parou com os estudos em Princetown para cuidar da carreira do primo Paper Boi, que está começando a fazer um certo sucesso na cena musical local. O rapper, que ainda está inserido no mundo do crime, junto com seu amigo Darius, aceita relutantemente a ajuda de Earn, que além de já ser pai, tem uma relação enrolada com Vanessa Keefer, mãe de sua pequena filha. A série foi, como descrita pelo próprio Donald Glover, criada para “fazer as pessoas sentirem como é ser negro”, é abusa de críticas, subversão, um humor ácido, e de mexer profundamente com seus sentimentos, te causando até um incomodo em vários momentos, pra poder alcançar esse objetivo. E se você não teve a exata sensação, bom, talvez seja isso mesmo que a série quer. Não vamos ser Craig’s, por favor. Atlanta te impressiona em alguns momentos. Em muitos momentos, pra ser honesto.

A série bota uma risada no seu semblante e tira essa risada com a mesma facilidade, e impressiona de ir de cenas aparentemente bobas para críticas sociais extremamente pesadas. Paper Boi participa de um tiroteio, logo no começo da série, e isso é sempre referenciado, mas nunca é bem explicado, passando perfeitamente a sensação de que aquilo é só mais uma coisa do dia-a-dia.

Em um episódio, Earn está esperando para ser liberado de uma delegacia, quando todos que estão na sala de espera começam a caçoar de um cara que, aparentemente, está lá todas semanas e apresenta algum distúrbio, que o faz fazer coisas absurdas, entre elas, beber água do vaso. O que parecia ser apenas uma cena com um humor controverso, visto que todos estão rindo enquanto Earn está desconfortável, acaba se tornando um momento extremamente pesado, já que o homem cospe a água que bebeu do vaso em um policial que o confronta, e acaba sendo violentamente reprimido e agredido, deixando a cena instantaneamente desconfortável, tanto para os personagens em cena, quanto para os espectadores.

A série parece ter sido preparada totalmente para causar essas sensações de incomodo e de subversão. No episódio “Juneteenth”, conhecemos o personagem Craig, um homem branco de classe alta, fascinado pela cultura negra, que se apresenta como uma pessoa extremamente simpática. Mas o nível de apropriação cultural que o personagem pratica, acaba sendo exatamente o que impede ele de ter de fato algum conhecimento prático sobre a vida do próximo. Craig pratica uma poesia falada de qualidade contestável, pinta quadros inspirados em cultura negra, bebe Henessy, já foi até pra África, e cobra Earn para fazer a mesma viagem. Nós entendemos totalmente os problemas desse jeito de Craig no fim do episódio, quando Earn afirma que ele não conhece nada da situação do negro na prática, e que “ele não viaja pra África pois está quebrado”. Craig, um homem branco, podia ler, estudar, viajar, mas a sua falta de empatia, e o fato de ele mesmo não sentir na pele o que Earn sente, não deixam ele ter a vivência que ele acha que tem. E nunca vai ter.

Vários outros episódios da série apresentam críticas marcantes, e além do já citado “Juneteenth”, podemos citar o episódio “Nobody Beats the Biebs”, onde somos apresentados ao Justin Bieber do universo de Atlanta, que é um jovem negro. A série não faz a minima questão de explicar o porquê disso, inicialmente, mas o jeito que isso se desenvolve é genial. Outro episódio marcante, “B.A.N.”, que se passa integralmente na publicação da “Black America Network”, um canal de televisão fictício, baseado em um canal existente. A programação, incluindo as propagandas, é recheada de sarcasmo, satirismo e críticas, e o episódio gira em torno de um programa de debates, com um apresentador, uma escritora que fez um livro sobre pessoas trans, e o rapper Paper Boi. Eles comentam uma reportagem sobre um adolescente negro que se identifica como um homem branco de 35 anos, e o fim desse episódio é um dos momentos de ouro da série, um momento digno de palmas.

Outro bom exemplo de como a série surpreende e subverte, é o último episódio da primeira temporada, que começa com uma premissa extremamente simples: Earn acorda após uma noite de festa, e não encontra sua jaqueta, e ele precisa muito de algo que está naquela jaqueta. Parece uma coisa até simples e boba para o episódio fianl da série, mas, naquela altura do campeonato, você já sabe que vem algo por aí. E realmente vem! E foge muito dos clichês de final de temporada, sendo algo extremamente simples e intimista, mesmo sendo tão surpreendente. A série, tão pesada em alguns momentos, termina completamente leve, se relacionando de maneira muito próxima com o espectador. Esse final fica ainda melhor após uma maratona, e como a série tem 10 episódios de cerca de 25 minutos cada, fica aqui a minha dica.

Atlanta tem uma direção impressionante, com cenas impressionantemente bem compostas e bem montadas, um roteiro excepcionalmente bem construídos, atuações muito bem feitas, com destaque para o monstruoso Donald Glover e para Keith Stanfield. A trilha sonora é muito acertada, mesmo que, tirando o hit de Paper Boi, nenhuma música fique na sua cabeça após o término dos episódios. Esperamos ansiosos pela já confirmada segunda temporada da série, e resta saber se ela continuará o incrível padrão estabelecido até agora.

[letsreviewunique title=”Atlanta: Primeira Temporada” pros_title=”PONTOS FORTES” pros=”Excelente roteiro,Tempo de comédia excelente,Atuações muito acertadas, Críticas concisas e inteligentes” cons_title=”PONTOS FRACOS” cons=”Acaba” criterias=”Direção,95,Roteiro,100,Atuação,95,Trilha Sonora,90″ affiliate=”Assista ao Trailer!,https://www.youtube.com/watch?v=MpEdJ-mmTlY” accent=”#edb203″ final_score=”95″ format=”3″ skin=”1″ animation=”1″ design=”1″][/letsreviewunique]

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